Aproveito esse espaço para divulgar uma publicação minha realizada nos Anais do II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas.

O artigo que disponibilizo aqui é fruto do trabalho para elabroação da minha Dissertação de Mestrado ― “O Esquema de Ação e a Constituição do Sujeito Epistêmico: Contribuições da Epistemologia Genética à Teoria do Conhecimento”, sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari (co-autor do artigo), no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNESP, defendida em 2009, bem como das pesquisas realizadas junto ao GEPEGE – Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética e Educação da UNESP e de pesquisas junto ao GEPEGRA – Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética da Região Amazônica da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, numa continuidade das pesquisas em Epistemologia Genética à qual ambos os autores têm se dedicado.

Neste artigo, temos como objetivo descrever e explicar o que é o modelo Grupo Prático de Deslocamentos, introduzido por Piaget em 1937 na obra “La construction du réel chez l’enfant” (Neuchâtel, Paris: Delachaux et Niestlé).

Para tanto, introduzimos a notação matemática para descrevê-lo, damos o significado dessa notação em termos dos comportamentos da criança e explicitamos a estrutura matemática de grupo subjacente ao modelo.

Palavras-Chaves: Grupo; Grupo Prático de Deslocamentos; Construção do Espaço

Para aqueles que queriam se aprofundar ainda mais na Epistemologia Genética, acessem o artigo na íntegra

A proposta construtivista, baseada na Epistemologia Genética de Jean Piaget, não vê a linguagem como a grande reveladora da Lógica e, consequentemente, da Inteligência. Mas, a partir das pesquisas e análises do comportamento infantil, feitas por Piaget, permitiram-no constatar a existência, não consciente para a criança, de uma estrutura lógica subjacente às suas ações, cujo desenvolvimento culminará na estrutura, propriamente dita, do pensamento e da linguagem.
A ação passa a ocupar, então, o centro das pesquisas e análises de Piaget, que a considera como fundamento da inteligência. É devido à importância da ação na constituição das estruturas necessárias ao conhecimento, que o Construtivismo entende ser relevante a compreensão da ação e suas relações com o processo de aquisição do conhecimento.

Para entendermos essa importância da ação, exploraremos, neste artigo, as noções da Epistemologia Genética que fundamentam a ação, afinal desde o nascimento há conduta, no sentido da ação total do indivíduo, e não somente um colocar em jogo automatismos particulares. Assim, fazemos por entender que a ação, no Construtivismo, implica o conhecimento não como cópia do real, mas, sim, num agir sobre o próprio real, transformando-o. De tal forma que exprime o fato de todo conhecimento estar ligado a uma ação e que conhecer um objeto ou fenômeno é utilizá-los, assimilando-os aos esquemas de ação do sujeito.

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Foto Immanuel KantAo buscar-se uma compreensão do processo de consolidação da Modernidade, principalmente no que tange à Teoria do Conhecimento, é fundamental uma abordagem da imensa contribuição que o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724 – 1804) nos deixou. Bem vale lembrar que foi em “[…] Kant, por cujo questionamento lógico-transcendental a teoria do conhecimento atingiu pela primeira vez consciência de si mesma […]” (HABERMAS, 1987, p. 26).

A obra kantiana é extremamente complexa. Ele “[…] discriminava três faculdades da mente humana: conhecer, julgar, querer. […]” (FREITAG, 1992, p. 46), pois a sua preocupação está em compreender todo o processo do conhecimento humano e como este influi no cotidiano. Não podemos aqui simplesmente dividir a obra kantiana para que possamos abordar um aspecto que nos pareça relevante, isso, com certeza, fará com que nossa interpretação seja parcial e incorreta. O trabalho desse filósofo se dá nessas três vertentes e sob elas é que deve ser interpretado.

É nosso objetivo aqui analisarmos de forma isolada a Teoria do Conhecimento de Kant, para que possamos chegar a uma compreensão profunda da mesma. Teremos em mente que ela não está dissociada das Teorias Moral e Estética e apontaremos, caso se fizer necessário, as relações estabelecidas por Kant em sua tríade conceitual.

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Adquirido, mas não diretamente do meio, como propõem o empirismo e nem só por pura reflexão como propõem o racionalismo, mas numa profunda interação entre o sujeito que conhece o meio que se dá a conhecer, como propõem o construtivismo. Todo nosso conhecimento do mundo, seja filosófico, científico ou tecnológico, até mesmo os conhecimentos tidos pro fúteis ou inúteis, são fruto dessa interação do sujeito com o meio. Sou defensor da tese de que há uma continuidade entre a inteligencia e os processos puramente biológicos de de morfogênese e de adaptação ao meio. De modo que o nosso conhecimento do mundo é uma construção feita desde o nascimento até a fase adulta.

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Penso que do modo mais genuíno, ou seja, assim como Kant, acredito que não se ensina a filosofia mas sim a filosofar, e é justamente essa a contribuição que as redes sociais podem dar. Ao propciarem uma troca de informações mais intensa que exija dos interlocutores uma capacidade maior de ‘filtro’ e ponderação, ela vai auxiliar na grande tarefa de filosofar e não na mera transmissão deste ou daquele ensino filosófico. Essa é minha maneira de pensar!

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Na busca de se compreender o processo de consolidação da Modernidade, principalmente no que tange à Teoria do Conhecimento, é de vital importância uma abordagem da imensa contribuição que o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724 – 1804) nos deixou. Bem vale lembrar que foi em Kant, por cujo questionamento lógico-transcendental a teoria do conhecimento atingiu pela primeira vez consciência de si mesma.

A obra kantiana é extremamente complexa. Ele discriminava três faculdades da mente humana: conhecer, julgar, querer. Sua preocupação está em compreender todo o processo do conhecimento humano e como este influi no cotidiano. Não podemos aqui simplesmente dividir a obra kantiana para que possamos abordar um aspecto que nos pareça relevante, isso, com certeza, fará com que nossa interpretação seja parcial e incorreta. O trabalho desse filósofo se dá nessas três vertentes e sob elas é que deve ser interpretado.

É nosso objetivo aqui analisarmos de forma isolada a Teoria do Conhecimento de Kant, para que possamos chegar a uma compreensão profunda da mesma. Teremos em mente que ela não está dissociada das Teorias Moral e Estética. Sua compreensão é de que todo conhecimento tem início na experiência, contudo, vai mais longe que Hume, aquele que o despertou do sono dogmático, acrescentando que isso não implica necessariamente que todo conhecimento provenha da experiência, mas que poderia muito bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento de experiência seja um composto daquilo que recebemos por impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento fornece de si mesma.

Assim, Kant chega à conclusão de que temos três possibilidades de juízos: analíticos, sintéticos a priori e sintéticos a posteriori. Sua concentração maior se dará em demonstrar a existência dos juízos sintéticos a priori. O movimento argumentativo kantiano tem por objetivo demonstrar a imperiosidade dos juízos sintéticos a priori, posto que os mesmos são os únicos a possuírem o caráter de universalidade e necessidade que evitam a forçosa assunção de uma atitude falibilista e relativista com relação ao conhecimento. Ademais, graças ao seu caráter sintético, eles garantem o progresso do conhecimento e afastam a possibilidade do dogmatismo baseado em verdades absolutas e conhecimentos imutáveis.

A grande questão que Kant vai colocar é: o verdadeiro problema da razão pura está contido na pergunta: como são possíveis juízos sintéticos a priori? Vemos, então, que Kant pretende ir além da Metafísica tradicional, como também das correntes filosóficas predominantes de seu tempo, tais como Racionalismo, Empirismo e Ceticismo, aproveitando as contribuições que essas correntes modernas da Filosofia lhe legaram, principalmente da Crítica Cética de David Hume, levando às últimas conseqüências e sendo radicalmente distinto desta.

**Resumo de comunicação apresentada e publicada nos Anais do I Colóquio de História da Filosofia – Bicentenário da Morte de Kant, promovido pelo Departamento de Filosofia da UNESP-Marília em 2004.