Hoje me permitirei divagar
Dando asas às minhas emoções
Pelos caminhos oníricos seguir

Hoje me permitirei não pensar
Deixando fluir a libido
Pulsando a vida que em meu peito arde

Hoje me permiterei ser arte
Arte que vislumbra a verdade
No jogo eterno da mímesis

Hoje simplesmente me permitirei
Viver, cantar, dançar, lembrar
Que na razão forte de todo mestre
Bate um coração vivo que na arte florece

Simplesmente por buscar compreender o incompreensível
ter diante de si uma imensidão inatingível
mas saber em seu íntimo
no âmago de si mesmo
que estás sozinho e desvelado
Saber mais do ser-em-si
É estar sem amarras ou marcas
sem mistérios ou máscaras
porque estás diante de si mesmo
e tens que contemplar a verdade, nua e cura que te define
A verdade do ser o que é e do não-ser que não é
A verdade de não compreenderes a si mesmo ao recusar o devir
Sabendo somente que o conhecimento te satisfaz
Numa onda fugaz
De dor e prazer
O puro saber pelo puro saber
Em fim, descobrirás
O sentido que tanto buscas
É o prazer infinito
que só o conhecimento pelo conhecimento
Pode proporcionar.