* Manuscrito da gravação de Jean Piaget à Rádio Suíça “Romande” em 06 de março de 1951

O texo foi traduzido do Francês por Vicente E. R. Marçal, é uma versão preliminar e qualquer crítica ou sugestão será bem vinda o texto original pode ser encontrado em www.fondationjeanpiaget.ch sob o título Causerie RSR 1: La définition de l’intelligence.

==== Vamos ao Texto ====

Buscamos primeiro definir a inteligência situando-a no conjunto das funções mentais.

A psicologia moderna renunciou, como sabemos, à noção de faculdade, i. e., à crença que o espírito está repartido em “compartimentos” separados por divisórias estanques, um compartimento para o saber, um compartimento para o sentir, um compartimento para a vontade. A psicologia moderna renunciou até a caracterizar seu objeto pela consciência.

Ela é um estudo das condutas, condutas que, bem entendido, inclui a consciência, mas, que são mais amplas que a própria consciência. Podemos, por exemplo, estudar a inteligência animal, ou a inteligência do bebê, dos quais nós não sabemos nada sobre seu grau de consciência, nós nos baseamos, simplesmente, sobre suas condutas.

Porém, toda conduta é, simultaneamente, conhecimento e afetividade. Não se pode conhecer a conduta sem um ou outro desses aspectos.

Por exemplo, o raciocínio matemático que parece o modelo de uma conduta puramente intelectual, é, na realidade, pleno de sentimentos: deve interessar, é preciso esforço, há prazer, pena, sentimentos de harmonia, de estética etc.

No outro extremo um sentimento amoroso pressupõe elementos cognitivos: elementos de percepção, discriminação, de compreensão etc.

A afetividade e o conhecimento são, então, dois aspectos indissociáveis de toda conduta.

Podemos dizer que a afetividade constitui a dinâmica da conduta, a regulagem das forças da conduta, como a mostrou JANET, enquanto que a inteligência, ou antes o conhecimento num sentido mais amplo, seria a estrutura da conduta, i. e., o conjunto das relações entre o sujeito e os objetos da conduta.

Mas todo conhecimento não é inteligência. Há estruturas perceptivas, há imagens, há adaptações motoras etc. Como, então, definir a inteligência no bojo das funções cognitivas? Isso é muito difícil.

Por exemplo, CLAPARED procurou definir a inteligência por ensaios de tentativa e erro. Ele dividiu as condutas em três grupos:

  • O instinto é a adaptação hereditária às situações que se repetem;
  • O hábito é a adaptação adquirida às situações que se repetem;
  • A inteligência é a adaptação às novas situações, novas e exigentes, consequentemente, um ensaio de tentativa e erro.

Mas, para outros autores, o ensaio por tentativa e erro, é, ao contrário, a exclusão da inteligência. Por exemplo, BÜHLER divide, igualmente, a conduta em três grupos:

  • O instinto;
  • O adestramento; e
  • A inteligência.

Mas ele recoloca o ensaio por tentativa e erro no adestramento e reserva o termo inteligência às condutas nas quais há compreensão imediata, repentina, sem qualquer forma de ensaio por tentativa e erro.

KÖHLER vê a mesma inteligência como uma estruturação súbita das situações. A percepção nos dá uma estrutura direta, imediata, mas incompleta, a inteligência completa a coisa lhe reestruturando o conjunto de dados perceptivos e, igualmente para KÖHLER, o ensaio por tentativa e erro é excluído da inteligência, é uma espécie de inteligência, de sucedâneo da inteligência.

Pois bem, quem tem razão? Todos os três ou nenhum; o que quero dizer é que o problema parece desprovido de significação. Não há critérios absolutos nem um senso estatístico.

A inteligência se define pelo desenvolvimento e não por um critério absoluto, não há um limite inferior, ou seja, não podemos situar um dia, um mês, um ano no qual a inteligência apareça no desenvolvimento da criança.

A inteligência só pode se definir pelo seu processo. Ela é um processo de organização, que engloba o conjunto de funções cognitivas e que tende a uma forma de equilíbrio, que caminha em direção a certas formas de equilíbrio final.

A inteligência ilumina, então, todas as funções cognitivas até a conclusão de uma lógica, mas só podemos definir por sua orientação ou sua direção.

Pois bem, tentamos fazê-lo!

Podemos, a esse respeito, colocar-nos dois pontos de vista: o ponto de vista funcional e o ponto de vista do mecanismo.

Do ponto de vista funcional, nós podemos dizer que uma conduta é tanto mais inteligente quanto é mais complexa a trajetória que deve seguir essa conduta entre o sujeito e os objetos. Ou seja, a inteligência se medirá pelo que podemos chamar a distância psicológica ou complexidade da trajetória.

Por exemplo, a percepção tem um caminho simples: o objeto está diretamente visível sob os olhos, mesmo se ele está muito longe como uma estrela ou a Lua, trata-se de uma trajetória direta, o objeto está no campo visual. Não há, então, necessidade de inteligência.

O hábito supõe já uma trajetória mais complexa: há movimentos coordenados entre si que podem ser mais ou menos complicados. Mas o hábito é estereotipado e, sobretudo, é de sentido único, ele caminha sempre na mesma direção e, neste sentido, sua trajetória não é, ainda, muito complexa.

Ao contrário, procurar um objeto escondido, um objeto que não está mais visível, que não está mais no campo visual, procurá-lo sem que um hábito conduza essa busca, pois bem, temos uma trajetória complexa que supõe voltas, retornos e nós já vemos aparecer, nesse aspecto, a inteligência.

Do ponto de vista do mecanismo, por outro lado, nós podemos definir a inteligência como um caminhar em direção ao equilíbrio das ações e, esse equilíbrio, nós o definiremos pela reversibilidade; nós veremos, incessantemente, a importância dessa noção de reversibilidade na constituição da inteligência.

Com efeito, somente a inteligência é reversível entre as funções cognitivas.

O hábito, como nós dissemos a pouco, é de sentido único: por exemplo, escrevemos da esquerda para a direita, ou se fossemos árabes, escreveríamos da direita para a esquerda, não sabemos, por tanto, escrever da direita para a esquerda e, para aprendê-lo, far-se-á necessário a aquisição de um novo hábito.

Do mesmo modo, a percepção é irreversível. Quando mergulhamos nossa mão em água morna, tendo a colocado anteriormente em água fria ou em água quente, essa água morna parecerá quente se antes a mão tenhamos sido mergulhada em água fira e parecerá fria se antes tenhamos mergulhado em água quente. A percepção é, então, determinada, pelo curso dos acontecimentos sucessivos.

Ao contrário, a inteligência permite voltas e retornos. A inteligência é a capacidade de se levantar hipóteses. A hipótese é uma crença que é fixada, a propósito da qual se reserva o direito de voltar a trás e, assim, seguir outra direção.

A inteligência é, sobretudo, um sistema de operações. E veremos, incessantemente, a importância da noção de operação na estruturação dos atos de inteligência. Ora, uma operação é, por definição, reversível. Adicionar, por exemplo, reunir objetos, comporta, imediatamente, a operação inversa que é a subtração ou dissociação de objetos. E na medida em que se adquire a operação direta, conquista-se, de fato, a operação inversa.

A reversibilidade nos parece, então, o critério da inteligência do ponto de vista do mecanismo, ao passo que a complexidade da trajetória é seu critério do ponto de vista funcional.

Mas anunciamos a todo o momento uma definição para a direção, para a orientação, sem critério estático. É que não há contradição em evocar, então, a reversibilidade. Certamente não, porque essa orientação, essa direção, é um caminhar em direção ao equilíbrio.

Ora, como é sabido, os físicos nos ensinaram, um sistema se define precisamente pela reversibilidade. Diz-se que um sistema está em equilíbrio quando toda modificação em um sentido pode ser corrigida por uma modificação no outro sentido. Pensemos numa balança, par exemple, que ao se colocar um peso num dos lados, uma força é deflagrada do outro lado, no outro sentido, para restaurar a posição inicial. Há equilíbrio na medida em que há reversibilidade.

Definir a inteligência pela reversibilidade não é outra coisa que dizer que a inteligência tende a um estado de equilíbrio da organização das funções cognitivas.

Porque, mesmo que definíssemos a inteligência por sua orientação, por sua direção, seríamos obrigados, para estudá-la, de iniciar por retraçar seu desenvolvimento. Ao seguir seu desenvolvimento que compreendemos sua natureza.

Nós vamos, então, consagrar algumas discussões ao desenvolvimento da inteligência, do nascimento à idade adulta, após as quais poderemos analisar as teorias, os pontos de vista que se oferecem para a compreensão do desenvolvimento e, sobretudo, aos estágios de equilíbrio aos quais resultam.

Em que concerne esse desenvolvimento, distinguiremos quatro estágios: um estágio sensório-motor, antes do aparecimento da linguagem; um estágio da inteligência representativa, mas anterior às operações, entre dois e sete anos, aproximadamente; um estágio das operações concretas, entre sete e doze anos, aproximadamente; e, finalmente, um estágio das operações formais no qual a lógica, propriamente dita é constituída e que marca a adolescência e a idade adulta.

O maior problema na Teoria da Consciência não é a teoria em si, mas a enorme dificuldade de se postular uma teoria científica unificada sobre a Consciência. Isso porque o principal debate que as Ciências e a Filosofia da Mente deveriam fazer não é sobre a Natureza da Consciência, mas sim sobre a Natureza da Explicação sobre a Consciência. Da mesma maneira que Agostinho afirmava saber exatamente o que é o tempo, mas não sabia como explicá-lo. Esse debate propõe que, na teoria da consciência, temos um predicamento similar com uma ligeira modificação, pois, em certo sentido, trabalha-se exatamente com o que pensamos sobre a consciência, mas não se tem ideia de como explicá-la dentro de uma teoria científica unificada.

Assim, num certo sentido, estamos na mesma situação de Agostinho, com uma ligeira distinção, ou seja, a dificuldade não está em saber falar sobre o objeto estudado, no caso a Consciência, mas em não termos como explicar, fundamentar a partir de uma teoria científica unificada a respeito do objeto estudado.

Na mesma direção, o pesquisador americano Chalmers em seu artigo intitulado Facing up to the problem of Consciousness (Enfrentando o problema da Consciência – numa tradução livre) afirma ser a consciência o problema mais intrigante de toda a Ciência da Mente, pelo fato de sabermos intimamente o que é uma experiência consciente, mas é, simultaneamente, a mais complexa experiência a ser explicada, pois nos últimos anos tanto a Ciência como a Filosofia da Mente tem obtido bons resultados no estudo de diversos fenômenos, manifestações e estados conscientes, contudo a Consciência tem sido teimosamente resistente às abordagens que dela são feitas.

Nesse sentido, a Consciência é um conceito híbrido e por isso não é um único problema para a Teoria da Consciência ou para a Filosofia da Mente, mas por podermos atribuir ao conceito Consciência significados como: manifestação, fenômeno e estado de consciência, entre outros, de modo a termos como grande dificuldade para qualquer tentativa de se teorizar sobre a Consciência, primeiro saber o que se entende por Consciência. Diversos debates tomam um único sentido desse termo, negligenciando os outros possíveis, mas isso tem por efeito proporcionar mais críticas do que aceitação, principalmente pela ideia de se ter feito uma petição de princípio, i. e., toma-se a Consciência para definir-se a si própria.

Podemos então perceber que temos uma particularidade que torna ainda mais complexa nossa tarefa, ou seja, a própria circunscrição ou delineamento do objeto de estudos, pois o mesmo transfigura-se em diversos outros objetos que podem ser estudados como Consciência. Ou seja, todos os fenômenos de consciência carecem de explicação e muitos deles foram ou, em certa medida, estão prestes a ser explicados.

Contudo a Consciência em si ainda resiste às abordagens metodológicas das Ciências e da Filosofia. Compreende-se a grande dificuldade em se abordar a Consciência enquanto tema para discussão na Filosofia da Mente e, por isso, Chalmers, em seu artigo, a divide em dois tipos de problemas: 1) os problemas fáceis (the easy problems) e 2) os problemas difíceis (the hard problems). Sua proposta é mostrar que os problemas fáceis estão relacionados aos fenômenos, manifestações ou estados conscientes que já foram explicados, ou estão prestes a ser, via a metodologia científica padrão, ou como diz Chalmers: “[…] Os problemas fáceis da consciência são aqueles que estão diretamente suscetíveis pelos métodos padrões da ciência cognitiva, em que um fenômeno é explicado em termos de mecanismos neurais ou computacionais […]”, e os problemas difíceis são todas as questões envolvendo a experiência subjetiva, à qual consideramos ser uma experiência da Consciência, que teimosamente resistem a esses métodos padrões das ciências e também da filosofia. Afirma ainda que, realmente, os problemas difíceis da consciência são problemas de experiência. Quando pensamos e percebemos, há um zumbindo no processamento da informação, mas há também um aspecto subjetivo, há algo como ser um organismo consciente. Este aspecto subjetivo é a experiência.

Essas experiências subjetivas da Consciência são, também, denominadas de Qualia. Os Qualia (no singular Quale) são as experiências que vivenciamos e não aquilo que experimentamos. Um exemplo muito utilizado, dentre os vários possíveis, é sobre a percepção de um objeto vermelho. O fenômeno que temos é de alguém, ou nós mesmos, percebermos um objeto vermelho, contudo o Qualia é a experiência subjetiva individual e impenetrável de como, esse alguém ou nós mesmos, temos a sensação/vivência do vermelho ou, em outras palavras, como a vermelhidão do objeto nos atinge. É algo extremamente subjetivo, e que pode nos remeter — sem entrarmos no mérito polêmico da questão — ao problema da existência das outras mentes proposto por Descartes. Em outras palavras, o problema dos Qualia está no fato do sujeito ter acesso privilegiado a essa experiência, pois é pessoal, subjetiva e interior, contudo a explicação da Teoria da Consciência deveria utilizar-se de métodos que permitissem atingir esse acesso privilegiado em si e não apenas falar sobre ele.

Destarte, temos o problema delineado. A necessidade de explicarmos a experiência consciente, ou seja, os Qualia e não somente expormos sobre tais experiências. Qual método pode se mostrar eficaz em propiciar acesso direto sem o subterfúgio da descrição subjetiva de uma manifestação, fenômeno ou estado de consciência, que como afirma Chalmers pode conter um ruído, um zumbido que interfere no processo de compreensão dos Qualia. Postulamos um problema o qual ainda está longe de se conseguir uma resposta, principalmente uma resposta unificada entre as Ciências e, também, com a Filosofia. Quiçá consigamos ter respostas a essas questões um dia!

* Publicado originalmente em http://www.rondoniaovivo.com/news.php?news=60515

Olá,

É comum, principalmente entre professores e pesquisadores da Educação, críticas a um sistema de ensino ou método de ensino que costumou-se chamar de Construtivismo, que tem por fundamento teórico a Epistemologia Genética de Jean Piaget.

Como entendo que o problema maior é a falta de compreensão dos postulados básicos dessa teoria, escrevi, sem muitas pretensões, um texto intitulado “Construtivismo, uma proposta incompreendida”, o qual fora publicado no Jornal Eletrônico Rondonia Ao Vivo e está disponível para leitura, comentários e críticas de todos os interessados.

Principalmente para mostrar que a proposta construtivista não significa, pura e simplesmente, deixar o aluno a seu bel prazer na sala de aula afirmando que ele é que constrói seu conhecimento.

Bem, o meu artigo no Rondônia ao Vivo é que propoem explicar melhor minha posição.

Leiam, avaliem, critiquem… o publiquei num espaço aberto e público justamente para que o mesmo fosse levado ao maior número de pessoas possível e pudesse, realmente, ser avaliado e criticado por todos.

Como fazemos na twittersfera: #prontofalei!!

Este artigo tem a finalidade de informar como a inteligência se constrói na criança segundo Jean Piaget, tendo em vista que sua preocupação central foi responder à questão de como se constrói o conhecimento. Piaget defende que a inteligência é um processo adaptativo e que a sua função é estruturar o universo, da mesma forma que o organismo estrutura o meio ambiente. Portanto o presente artigo descreverá o processo de adaptação e organização, assim como a assimilação, acomodação e equilibração tendo em vista chegar á conclusão de como o conhecimento é construído pela criança, para que com essa resposta possa auxiliar na compreensão do como a criança aprende. Jean Piaget, para explicar o desenvolvimento intelectual, partiu da ideia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio, ou seja, a organização é inseparável da adaptação, essa que por sua vez é a essência do funcionamento intelectual. A organização é a habilidade do individuo de integrar as suas estruturas prévias em sistemas coerentes. Entenderemos também que a assimilação é o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas prévias, e que a chamada acomodação é toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores ao quais se aplicam. E que equilibração trata de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. Este artigo tem o intuito de esclarecer sobre a questão de como o conhecimento é adquirido com base na teoria de Piaget, visando ajudar a entender a respeito de como a criança aprende, portanto os presentes escritos dirigem-se à atuais e futuros professores e a todos que se interessarem em saber sobre como se dá o desenvolvimento intelectual na criança.

* Resumo do trabalho escrito por Tathiane Ananias da Silva e Raphaele Afonso Angélico sob minha orientação, apresentado e publicado nos Anais do I Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas: Atualidade da Obra de Jean Piaget.

Olá pessoal,

Lançado o Volume 01 Número 02 da Schème – Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas.

A Schème é uma publicação do GEPEGE – Grupo de Estudo e Pesquisa em Epistemologia Genética e Educação, da qual sou Editor Adjunto.

Traz artigos voltados à teoria piagetiana e suas interfaces. É um excelente material para aqueles que pretendem se aprofundar ou mesmo tomar conhecimento da teoria.

Olá Pessoal,

Posto aqui a informação, a qual já deveria ter feito, de uma importante revista para quem tem interesse em se aprofundar nos estudos da teoria piagetiana é Schème – Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas – Auspiciada pelo GEPEGE – Grupo de Estudo e Pesquisa em Epistemologia Genética e Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Campus de Marília-SP.

Sou Editor Adjunto da mesma!

Vale a pena conferir!!!!

Indico, aqui, um texto muito bom para quem quer aprofundar sobre a temática da Imitação que tratamos anteriormente. É o livro Piaget: imagem mental e construção do conhecimento.

A sinópse do livro nos diz que:

A finalidade desta obra é estabelecer as relações entre a representação imagética, ou imagem mental (IM), e a construção do conhecimento na criança, ou seja, o papel da imagem mental na formação do conhecimento do mundo real, segundo a Psicologia e Epistemologia genética de Jean Piaget. A partir do percurso detalhado de toda a ampla e fecunda obra de Piaget, o autor contribui efetivamente ao expor, integral e ordenadamente, os fundamentos dos trabalhos que tem realizado, como pesquisas de diagnóstico e intervenção, com crianças marginalizadas, abrindo uma nova perspectiva para a reeducação de crianças com graves deficiências na formação das estruturas operatórias elementares, devido ao comprometimento no nível do pensamento representativo. Este livro interessa tanto do ponto de vista teórico como por suas implicações na prática psicopedagógica.

Fundamental para quem quer ter uma aproximação à teoria piagetiana, mas prefere um caminho mais suave que os próprios textos de Piaget.

Vale a leitura!

Sem muito o que fazer no domingo, dia que tiro para descansar e, por isso, não estava estudando. Acabei por assistir ao Fantástico. Um show de inutilidades, mas que acaba por aliviar a tensão de uma atividade acadêmica intensa (é as vezes o besteirol nos ajuda ;-).

Bem, críticas à parte me chamou a atenção um novo quadro que pretende falar sobre neurociências, mais precisamente sobre o funcionamento do cérebro. E, das duas reportagens que foram apresentadas uma, em particular me chamou a atenção, que fala sobre a questão de bocejarmos simplesmente quando vemos alguém, ou mesmo um animal bocejando ou até mesmo quando vemos a foto de um bocejo. A reportagem pode ser vista no vídeo abaixo.

Não vou elencar aqui todos os argumentos, pois poderão ser analisados na própria reportagem. Mas um me chamou muito a atenção, quado ela diz:

Algumas imitações se exteriorizam, viram gestos. Mas a maioria acontece só no cérebro. Mais especificamente, no cortéx pré-motor, onde ficam os neurônios-espelho, que têm esse nome justamente porque refletem as ações que vemos

Nessa argumento, ela passa a informação de que somente algumas das imitações se exteriorizam enquanto gestos, enquanto comportamentos. O restante seriam internas, acontecendo somente no cérebro. Bem, se isso acontece, só podemos afirmá-lo para o caso da vida adulta, onde o sujeito já está totalmente formado. Pois, a Epistemologia Genética nos deixa claro que as primeiras imitações, que ocorrem ainda no período sensório-motor, são totalmente externas, são imitações de comportamentos e gestos realizados pela criança, de forma externa e não interna.

A internalização da imitação é que da origem, segundo a Epistemologia Genética, ao pensamento. A coordenação dos esquemas motores que permitem à criança imitar, externamente, pelo comportamento, o que acontece à sua volta e, só posteriormente é que ela terá condições de executar as imitações de forma internalizada.

Portanto, apesar de ser uma meia-verdade, pois fala do que acontece no indivíduo adulto já constituído, a reportagem peca por trazer uma informação que não é 100% correta. Principalmente ao mostrar crianças imitando, o que eu julgaria ser uma contradição performativa, pois afirma que somente algumas imitações se exteriorizam, mas mostram crianças imitando e externamente, ou seja, por comportamento!!!

Na busca de uma explicação para a Teoria da Consciência, muitos caminhos já foram trilhados, a ponto de a compararem com a busca alquimista pela ‘Pedra Filosofal’, no sentido de ser a compreensão da Consciência o limite último das Ciências e da Filosofia.

Diante desse desafio propomos, a partir de algumas contribuições de Jean Piaget, principalmente, em seu texto A Explicação em Psicologia e o Paralelismo Psico-Fisiológico, debater essa temática e desenvolver a hipótese de um isomorfismo entre causalidade, noção relacionada às leis físicas, e, assim, relacionada, também, aos fenômenos fisiológicos do organismo propriamente ditos, e implicação, noção relativa ao raciocínio lógico dedutivo e às possibilidades de atribuição de valor de verdade lógico, sendo esses considerados como funções específicas da Consciência.

Consideramos, então, a possibilidade de nossa hipótese de trabalho vir a unificar a discussão teórico-científica e filosófica rumo à compreensão da Consciência, já que: proporciona uma visão que não é dualista e nem descarta a Consciência, como algo inexistente, mas ao contrário, aceita a sua existência e a sua especificidade, e mostra como lhe atribuir lugar, não espacial, mas funcional, na conduta humana e nos fornecer elementos que nos permitem não só falar sobre manifestações, fenômenos ou estados conscientes, mas correlacioná-los com o comportamento do indivíduo enquanto organismo vivo, tendo acesso ao que antes nos parecia inatingível por ser, supostamente, subjetivo.

**Resumo de comunicação apresentada e publicada nos Anais do XII Encontro Nacional de Pós-Graduação de Filosofia da ANPOF em 2006.