Sempre é necessário relembrar que a busca por justiça passa, necessariamente, pela indignação e denúncia da injustiça que acontecem a nossa volta. Denunciar a injustiça é viver em desacordo com as estruturas sócio-política-econômicas de seu tempo.

Nossa sociedade está profundamente marcada pelo domínio externo do hemisfério norte. Vivemos em um modelo neo-liberal imposto sem possibilidades de libertar-nos. Segundo Darcy Ribeiro para compreendermos esta relação de dominação devemos levar em consideração quatro principais tensões: 1) as disputas entre as potências imperialistas industriais; 2) a oposição entre os povos atrasados e seus exploradores; 3) o antagonismo entre o campo capitalista e o socialista e 4) as tensões inter-socialistas. Estas tensões, foram estabelecidas por Darcy Ribeiro no início dos anos 70, quando ainda existia o socialismo soviético, mas não podemos deixar de ver como são atuais, mesmo entendendo que sem o socialismo soviético as tensões se reduzam às duas primeiras.

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Diversos cursos do Ensino Superior têm sido, por décadas, cursos técnicos que visam única e exclusivamente uma formação de mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho, esquecendo-se da formação humanística de seus discentes.

São cursos, que primam por uma qualidade técnico-acadêmica, com docentes de alto nível que, com toda certeza, forma profissionais de alto gabarito para o mercado de trabalho, mas tais cursos relegaram a formação cidadã para um segundo nível.

Nessa perspectiva que a Filosofia se justifica enquanto disciplina para o Ensino Superior, tanto como uma Introdução à Filosofia como em disciplinas como Ética, Filosofia da Ciência, Filosofia Política dentre outras que propiciam a formação humanística do futuro profissional. Levando-o à reflexão de sua conjuntura, da situação que o cerca e que existem possibilidades não só estrategicas, mas e principalmente, comunicativas.

Somente numa perspectiva da Filosofia é que podemos abrir outras possibilidades que não somente a Razão Estratégico-Instrumental, aquela que visa instrumentalizar os meios (sejam esses ambientais ou o próprio ser humano) para atingir os fins. Mesmo porque sem uma reflexão filosófica, por mais simples (se é que se pode chamar uma reflexão filosófica de simples!) que seja, permitir-se-á uma abordagem diferente da técnico-instrumental presente nos cursos de graduação, principalmente nos cursos de outras áreas que não as Ciências Humanas, mas até mesmo nessas existe a necessidade de uma reflexão filosófica mais apurada, levada a cabo pela disciplina de Filosofia em seus currículos.