Ciclone? Tufão? Não sabemos, mas 2011 foi um ano de muitas, muitas turbulências. Não no sentido pejorativo da palavra, mas sim no sentido de grandes mudanças e grandes conquistas também.

O início do ano foi tranquilo, com as aulas na UNIR nas turmas de Filosofia, Direito e Biblioteconomia/Ciência da Informação. Mas, o primeiro semestre reservava uma das maiores conquistas que tivemos: a realização do I Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica – CEGRA, no período de 27 a 29 de abril. Com a temática:”Contribuições da Epistemologia Genética à Prática Docente” pudemos trazer três pesquisadores de renome nacional para abrilhantar nosso congresso, foram eles: Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari, do Departamento de Filosofia da UNESP/Marília-SP, Prof. Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya, do Departamento de Psicologia da Educação da UNESP/Marília-SP e o Prof. Dr. Fernando Becker, da Faculdade de Educação da UFRGS/Porto Alegre-RS.

Foto da mesa de abertura do primeiro congresso de epistemologia genética da região amazônica

Mesa de Abertura do I CEGRA

Na foto temos o Prof. Dr. Júlio Cesar Barreto Rocha, Diretor do Núcleo de Ciências Humanas da UNIR, Profa. Dra. Maria Cristina Victorino de França, Vice-Reitora da UNIR, Prof. Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya, palestrante da noite e o Prof. Ms. Vicente Eduardo Ribeiro Marçal, Presidente da Comissão Organizadora.

O sucesso do CEGRA foi retumbante, tivemos a participação de mais de 150 inscritos, dos mais variados cursos de licenciatura da UNIR e de outras instituições da cidade de Porto Velho e da região, além da participação de professores da Educação Básica. Dos inscritos tivemos cinco proponentes de apresentação de comunicação oral que deu origem à nossa revista CEGRA, na qual publicamos os ANAIS do CEGRA.

Público no Primeiro Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica

Público no I CEGRA

Profs. Ricardo, Vicente e Fernando

Profs. Ricardo, Vicente e Fernando

Retomamos às atividades normais com as aulas fechando o primeiro semestre com muita satisfação diante das conquistas que tivemos.

No mês de julho, sob a coordenação da Profa. Ms. Tiziana Cocchieri, pela PROCEA, a UNIR realizou o I Colóquio sobre Formação de Identidade Cultural. No Colóquio pude debater a questão da formação de identidade cultural sob o ponto de vista filosofia, numa riquíssima mesa redonda que contou, também, com o prof. Aleks Palitot e dos comunicadores Domingues Jr. e Léo Ladeia. Além de auxiliar na organização do referido Colóquio.

Colóquio sobre Formação da Identidade Cultural

Léo Ladeia, Domingues Jr., Aleks Palitot e Vicente Marçal

Não podemos deixar de mencionar os avanços nas pesquisas em Epistemologia Genética. Obviamente que o I CEGRA foi uma das maiores realizações do nosso projeto de pesquisa. Tivemos uma comunicação aprovada no III Congresso de Egressos e Estudantes de Filosofia da UEL, intitulada “Corpo, cérebro e ambiente: um sistema complexo da consciência na teoria de Piaget”, na qual apresentamos propostas de interpretação piagetiana sobre o clássico problema corpo-mente na Filosofia da Mente.

Também não poderíamos deixar de ressaltar a conquista de uma bolsa PIBIC para a discente Sônia Maria Silveira da Costa, do curso de Filosofia, que, desde então, trabalha sob nossa orientação em projeto intitulado: “A Inteligência Enquanto Processo Biológico de Adaptação”.

Ressaltamos, também, como fruto das pesquisas realizadas em Epistemologia Genética o mini curso “O uso de modelos lógico-matemáticos na Epistemologia Genética: Uma introdução acessível” ministrado em conjunto com o Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari e a comunicação oral intitulada “Sobre o Modelo Grupo Prático de Deslocamentos em Psicologia e Epistemologia Genéticas”, ambos apresentados no II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas: Interlocuções e Debates Atuais, realizado no período de 07 a 11 de novembro de 2011.

Professores Vicente Marçal e Ricardo Tassinari ministrando minicurso

Profs. Ricardo e Vicente apresentando Mini Curso

Durante o II Colóquio houve, também, o lançamento do livro “Jean Piaget no Século XXI: escritos de epistemologia e psicologia genéticas” , do qual somos um dos organizadores. O livro reúne os textos das palestras e mesas redondas do I Colóquio de Epistemologia e Psicologia Genéticas: Atualidade da Obra de Jean Piaget”, realizado em setembro de 2009. O hiato entre a data de realização do I Colóquio e o lançamento do livro mostra como é árduo o trabalho de organização de um livro desse porte, mas isso não nos impediu de aceitar o desafio e iniciarmos o processo de organização do livro do II Colóquio.

Capa do livro Jean Piaget no século vinte e um

Capa do Livro

Outro acontecimento durante o II Colóquio foi a Assembléia de Criação da Sociedade Brasileira Jean Piaget e, também, a eleição da primeira diretoria, como eu já havia mencionado antes. A primeira diretoria da SBJP ficou com a seguinte composição: Adrián Oscar Dongo Montoya (UNESP/Marília) Presidente, Ricardo Pereira Tassinari (UNESP/Marília) Vice-presidente, Julio Rique Neto (UFPB) 1º Secretário, Vicente Eduardo Ribeiro Marçal (UNIR) 2º Secretário,  Cleonice P. S. Carmino (UFPB) 1ª Tesoureira e Rafael dos Reis Ferreira 2º Tesoureiro.

Diretoria da Sociedade Brasileira Jean Piaget

Primeira Diretoria da SBJP

Durante o segundo semestre ministramos aula nas disciplinas de Lógica e Filosofia da Ciência para o curso de Filosofia que, por contratempos da greve enfrentada pela UNIR, ainda não findou, mas estamos já com as atividades retomadas e com o cronograma traçado para finalizar até março/2012.

A greve foi um capítulo a parte do ano, a qual não temos a pretensão de comentar por aqui, haja vista que esse espaço é para a divulgação de nossas atividades acadêmicas e profissionais.

O ano de 2011 foi de muitas conquistas e oportunidades, esperamos que o ano de 2012 nos contemple com muito mais.

Em reunião realizada às 17h30min do dia 10 de Novembro de 2011, na sala Terra Brasilis do Quality Hotel Sun Valey, na cidade de Marília-SP, por ocasião do II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas, fundamos, na presença de pesquisadores e representantes de grupos de pesquisa do Brasil, a Sociedade Brasileira Jean Piaget (SBJP).

A criação da SBJP se dá por compreender-se a importância de uma Sociedade que tenha como um de seus objetivos principais a valorização do pensamento piagetiano no Brasil.

Como parte do projeto de institucionalização da SBJP, dar-se-á a concretização jurídica da Sociedade, que terá sede na cidade de Marília.

Foi, também, eleita a primeira diretoria formada por: Presidente: Adrián Oscar Dongo Montoya, Vice-Presidente: Ricardo Pereira Tassinari, 1º Secretário: Julio Rique Neto, 2º Secretário: Vicente Eduardo Ribeiro Marçal, 1º Tesoureiro: Cleonice P. S. Carmino e 2º Tesoureiro: Rafael dos Reis Ferreira, que trabalhará em conjunto para dar estrutura e funcionalidade à SBJP.

Diretoria da Sociedade Brasileira Jean Piaget

Foto da Diretoria da Sociedade, da esquerda para a direita: Rafael dos Reis Ferreira (2º Tesoureiro), Ricardo Pereira Tassinari (Vice-Presidente), Adrián Oscar Dongo Montoya (Presidente), Julio Rique Neto (1º Secretário), Cleonice P. S. Carmino (1ª Tesoureira) e Vicente Eduardo Ribeiro Marçal (2º Secretário).

Participei, no período de 7 a 11 de Novembro de 2011, como conferencista do II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas: Interlocuções e Debates Atuais, realizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Marília-SP.

Professores Vicente Marçal e Ricardo Tassinari ministrando minicurso

Na oportunidade ministrei o minicurso “O uso de modelos lógico-matemáticos na Epistemologia Genética: Uma introdução acessível” em conjunto com o Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari (da FFC-UNESP), pesquisador com quem tenho trabalhado nas pesquisas em Epistemologia Genética. Além do minicurso apresentei a comunicação intitulada “Sobre o Modelo Grupo Prático de Deslocamentos em Psicologia e Epistemologia Genéticas”, fruto de meus trabalhos de pesquisa junto ao Departamento de Filosofia da Fundação Universidade Federal de Rondônia sendo, também, coordenador da mesa de apresentação de trabalhos de comunicação.

Capa do livro Jean Piaget no século vinte e um

Durante o II Colóquio ocorreu, também, o lançamento do livro “Jean Piaget no Século XXI: Escritos de Epistemologia e Psicologia Genéticas”, no qual sou um dos organizadores. O livro traz os textos provenientes das conferências e mesas redondas que aconteceram no I Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas: Atualidade da Obra de Jean Piaget, realizado no período de 08 a 11 de setembro de 2009, que teve o objetivo de promover o encontro de pesquisadores nacionais e estrangeiros, bem como de grupos de pesquisa brasileiros, que se dedicam ao estudo da obra de Jean Piaget. Destacando-se a importância não só do I Colóquio, mas do livro como resultado de tão árdua tarefa, pelo contexto em que se encontra a pesquisa com fundamento na teoria de Jean Piaget no Brasil. Sendo o livro um marco para a divulgação e repercussão dessas pesquisas, não só no Brasil como no mundo.

 

O Prof. Ms. Vicente Eduardo Ribeiro Marçal, do Departamento de Filosofia da UNIR, apresentará nos dias 12 a 16 de Setembro de 2011 comunicação intitulada “Corpo, Cérebro e Ambiente: Um Sistema Complexo da Consciência na Teoria de Piaget” no III Encontro de Egressos e Estudantes de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina. O trabalho é fruto das pesquisas realizadas pelo professor e versa sobre a importância de entendermos o Corpo e o cérebro como uma única e mesma coisa e não separados tendo no cérebro o único responsável pelas manifestações conscientes. Contrapondo, dessa forma, a clássica argumentação da Ciência Cognitiva tradicional que considera o Cérebro como o centro dos estados de consciência e de toda manifestação consciente. Dessa forma, a busca por descrever a mente a partir das atividades cerebrais, feita pela Ciência Cognitiva, desconsiderou dois simples detalhes que fazem toda a diferença para a compreensão de um sistema complexo como a consciência e seus estados de consciência: o Corpo e o Ambiente. Assim, propõe a importância do
Ambiente na construção da Consciência, conjuntamente com o Corpo e o Cérebro, tendo como ponto de partida a Epistemologia Genética de Jean Piaget.

 

Fonte: Site da UNIR

O II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas, que será realizado nos dias 07 a 10 de novembro de 2011 no Hotel Sun Valley Park e na Faculdade de Filosofia e Ciências, UNESP, em Marília, teve sua primeira edição em setembro de 2009, organizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisas de Epistemologia Genética e Educação – GEPEGE.

A participação de destacados pesquisadores nacionais e estrangeiros, a qualidade dos trabalhos apresentados e o interesse do público alvo mostraram a importância de investirmos na periodicidade bianual de um evento dessa natureza.

Como resultado do Colóquio de 2009, foi publicado o Anais com textos completos, e estão sendo editados dois trabalhos: um livro com textos das conferências ministradas pelos convidados e um artigo sobre os grupos de pesquisa no Brasil que tenham como referência a teoria de Jean Piaget.

O tema que norteará o “II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas: interlocuções e debates atuais” ser á: “O sujeito do conhecimento na Ciência e na Filosofia”. Temos o aceite de vários pesquisadores do Brasil e de outros países visando atingir os objetivos de integração e debate construtivo acerca de tópicos essenciais da teoria piagetiana.

PÚBLICO ALVO

  • Pesquisadores e estudiosos interessados na obra de Jean Piaget
  • Estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais ligados aos
  • cursos de Psicologia, Filosofia, Educação e áreas afins
  • Professores da Educação Básica

ENVIO DE TRABALHOS [normas completas no site do evento]

  • data limite para inscrição de trabalhos: 15 de junho de 2011
  • divulgação do resultado final do parecer em relação aos trabalhos submetidos à comissão científica: 30 de agosto de 2011
  • acesse o site do evento e confira as normas completas:

http://www.fundepe.com/coloquiopiaget2011/

LOCAL DE REALIZAÇÃO

Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP – Campus de Marília/SP
Av. Hygino Muzzi Filho, 737 – Marília/SP
CEP: 17525-900
Fone: (55-14) 3402-1371
www.marilia.unesp.br

Quality Hotel & Convention Center – Hotel Sun Valley Park – Marília
Rua Aimorés, 501, Salgado Filho – Marília/SP
CEP: 17506-276
Fone: (55-14) 3402-9092 – Fax (55-14) 3402-9096
www.atlanticahotels.com.br

Segue, abaixo, a Programação do CEGRA. Ressaltamos que essa programação está, ainda, sujeita a alterações até o início do Congresso.

27/04
14h as 18h30min Credenciamento
19h Abertura
19h30min Palestra:  “Contribuições da Epistemologia Genética à Prática Docente” – Prof. Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya – UNESP – Marília-SP
28/04
9h as 12h Minicurso “Aprendizagem e Desenvolvimento na Teoria de Jean Piaget” – Prof. Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya – UNESP – Marília-SP
14h as 17h30min Minicurso “Aprendizagem e Desenvolvimento na Teoria de Jean Piaget” – Prof. Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya – UNESP – Marília-SP
19h30min Palestra “Conhecer o Homem para Educar: Uma Visão Epistemológico-Genética” – Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari – UNESP – MaríliaSP
29/04
9h as 12h Comunicações Orais
14h as 17h30min Comunicações Orais
19h30min Palestra com Prof. Dr. Fernando Becker – UFRGS – Porto Alegre-RS

A proposta construtivista, baseada na Epistemologia Genética de Jean Piaget, não vê a linguagem como a grande reveladora da Lógica e, consequentemente, da Inteligência. Mas, a partir das pesquisas e análises do comportamento infantil, feitas por Piaget, permitiram-no constatar a existência, não consciente para a criança, de uma estrutura lógica subjacente às suas ações, cujo desenvolvimento culminará na estrutura, propriamente dita, do pensamento e da linguagem.
A ação passa a ocupar, então, o centro das pesquisas e análises de Piaget, que a considera como fundamento da inteligência. É devido à importância da ação na constituição das estruturas necessárias ao conhecimento, que o Construtivismo entende ser relevante a compreensão da ação e suas relações com o processo de aquisição do conhecimento.

Para entendermos essa importância da ação, exploraremos, neste artigo, as noções da Epistemologia Genética que fundamentam a ação, afinal desde o nascimento há conduta, no sentido da ação total do indivíduo, e não somente um colocar em jogo automatismos particulares. Assim, fazemos por entender que a ação, no Construtivismo, implica o conhecimento não como cópia do real, mas, sim, num agir sobre o próprio real, transformando-o. De tal forma que exprime o fato de todo conhecimento estar ligado a uma ação e que conhecer um objeto ou fenômeno é utilizá-los, assimilando-os aos esquemas de ação do sujeito.

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É com muita satisfação que faço a divulgação do I Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica <www.cegra.unir.br>, o mesmo tem por objetivos, como o próprio site nos informa:

  1. Promover a discussão temática sobre a atividade docente à luz da Epistemologia Genética;
  2. Promover a troca de experiências da prática docente sob o foco da Epistemologia Genética;
  3. Fortalecer e ampliar as atividades do GPEGRA – Grupo de Pesquisa em Epistemologia Genética da Amazônia;
  4. Oferecer elementos de discussão e subsídios teóricos aos estudantes de Programas de Graduação e de Pós- Graduação na elaboração de suas pesquisas;
  5. Oferecer subsídios teóricos para nortear a prática docente dos professores da Educação Básica;
  6. Publicar os trabalhos apresentados como contribuição à reflexão da prática docente à luz da Epistemologia Genética;
  7. Promover a discussão temática sobre a atividade docente à luz da Epistemologia Genética;

Não deixem de prestigiar um evento de tamanha importância para a Região Amazônica, para pensarmos nossas práticas docentes a partir de nós mesmos.

Foto Immanuel KantAo buscar-se uma compreensão do processo de consolidação da Modernidade, principalmente no que tange à Teoria do Conhecimento, é fundamental uma abordagem da imensa contribuição que o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724 – 1804) nos deixou. Bem vale lembrar que foi em “[…] Kant, por cujo questionamento lógico-transcendental a teoria do conhecimento atingiu pela primeira vez consciência de si mesma […]” (HABERMAS, 1987, p. 26).

A obra kantiana é extremamente complexa. Ele “[…] discriminava três faculdades da mente humana: conhecer, julgar, querer. […]” (FREITAG, 1992, p. 46), pois a sua preocupação está em compreender todo o processo do conhecimento humano e como este influi no cotidiano. Não podemos aqui simplesmente dividir a obra kantiana para que possamos abordar um aspecto que nos pareça relevante, isso, com certeza, fará com que nossa interpretação seja parcial e incorreta. O trabalho desse filósofo se dá nessas três vertentes e sob elas é que deve ser interpretado.

É nosso objetivo aqui analisarmos de forma isolada a Teoria do Conhecimento de Kant, para que possamos chegar a uma compreensão profunda da mesma. Teremos em mente que ela não está dissociada das Teorias Moral e Estética e apontaremos, caso se fizer necessário, as relações estabelecidas por Kant em sua tríade conceitual.

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É interessante notar que a história parece, sempre, se repetir. Mudam-se os atores sociais, os espaços geográficos a amplitude dos acontecimentos, mas questões básicas não mudam.

Vejamos um exemplo. Nos primeiros séculos da chamada “Era Cristã” – lembrando que só tem esse nome por conta do domínio imperial que a igreja (sim com i minúsculo) teve durante praticamente toda a Idade Média – diversas heresias foram combatidas pela, então, igreja cristã da época.

Dentre essas heresias uma em especial me chama a atenção: o Maniqueismo. De forma simplória, tal heresia, vê o mundo regido por duas forças supremas o bem, ou deus e o mal, ou o diabo. Além, obviamente de haver um conflito entre essas suas potências em que no meio do conflito está a posse do ser humano.

Obviamente que se redigirmos o parágrafo anterior, sem mencionar que se trata do maniqueísmo, alguns ditos cristãos hoje estariam de pleno acordo. Afinal, temos visto proliferar nas chamadas igrejas cristãs, uma compreensão de que há uma eterna luta entre o bem e o mal, entre deus e o diabo. Batalhas espirituais estão sendo travadas nesse exato momento em que escrevo essa pequena digressão.

Vemos, então, uma heresia condenada há tempos atrás travestida de novas roupagens, novas formas de se expressar e, o que é lamentável, plenamente aceita pelos chamados líderes cristãos como plausível.

Infelizmente, teóricos como Agostinho de Hipona não são mais lidos nem conhecidos no meio eclesial. Compreender que o mal não tem estatuto ontológico é demais. Afinal, não se precisa pensar, somente ter fé. Fé em que? Vai saber! Dizem ser em deus, mas um deus que está em pé de igualdade com a potestade maligna é, no mínimo, chacota.

Um deus que necessita de auxílio do próprio humano para dominar as forças do mal soa como piada. Mas, vale lembrar que não é só o maniqueísmo que está sendo revigorado. A necessidade de dominar as forças da natureza aplacando a ira dos deuses é mais antiga que o cristianismo. Ah! Sim, o cristianismo não precisa aplacar a ira de deus, afinal ela foi aplacada pelo sacrifício desse mesmo deus ao ser crucificado. Lendo engano, temos que aplacar com orações, súplicas e confissões. Com uma vida reta seguindo os preceitos desse deus.

Mas que estranho, vamos a todas as atividades da igreja, colocamo-nos de joelhos e fazemos nossas orações, súplicas e confissões, contudo ao sair posso agir como se o outro fosse das forças inimigas, pelo simples fato de pensar diferente de mim. Exigimos que a Constituição nos garanta a liberdade religiosa, e massacramos a religiosidade do outro como pura manifestação do mal, do diabo. Enfim, vivemos num mundo esquizofrênico maniqueísta e nas batalhas temos que garantir que o mal retroceda e as forças do bem vençam, afinal esse é o objetivo da missio dei.