É com imensa satisfação que informamos que estão abertas as inscrições para o

III Colóquio Internacional de Epistemologia
e Psicologia Genéticas: Retrospectivas e Perspectivas

O III Colóquio será realizado no período de 17 a 20 de novembro de 2013, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. O objetivo do Colóquio é a disseminação da epistemologia e psicologia genéticas nas áreas da psicologia, filosofia e educação.

Nesta edição, o III Colóquio é uma iniciativa conjunta de três grupos de estudos e pesquisa:

  1. Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento Sociomoral – NPDSM, UFPB, João Pessoa-PB;
  2. Grupo de Estudos e Pesquisas de Epistemologia Genética e Educação – GEPEGE, UNESP, Marília-SP e
  3. Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética da Região Amazônica – GEPEGRA, Porto Velho-RO.

É a primeira vez que o Colóquio está ocorrendo fora do Estado de São Paulo. Ao se tornar itinerante, o Colóquio visa proporcionar um espaço para discussão e disseminação da epistemologia e psicologia genéticas garantindo maior participação de pesquisadores e estudantes de regiões não contempladas nas edições anteriores.

Além dos convidados nacionais, o evento contará com a participação de convidados da França, Espanha e Peru. A maioria dos pesquisadores convidados já respondeu aceitando o convite. O conjunto das palestras visa atingir os objetivos de integração e debate construtivo acerca de tópicos essenciais da teoria piagetiana. A programação visa estimular a discussão e o aprofundamento em temas específicos da Epistemologia Genética e suas interfaces.

A partir de uma conversa com a querida amiga Gisele Gomedi (via FaceBook) sobre liberdade de expressão fiquei a pensar com meus botões., o que me levou a escrever essa pequena digressão.

Enfim, pelo fato de ser livre posso e devo expressar tudo que penso?

A princípio, num ardente desejo de defender a liberdade de expressão, a resposta a essa questão deve ser um grande e sonoro SIM, não acham!? Pois é, mas penso que não seja bem assim e sobre isso que pretendo comentar aqui.

Duas coisas estão envolvidas na questão proposta, ao menos na maneira como eu a propus e, sintam-se livres para discordar de mim nos comentários a este post.

A primeira é “posso” expressar tudo que penso? Claro, diante da liberdade necessária às democracias sim, é claro que posso expressar tudo que penso, tenho direitos garantidos que me permitem a expressão livre das minhas ideias e, inclusive, da discussão das mesmas para que se construa, no coletivo, uma compreensão melhor do que penso e do que todos os que me cercam pensam. É justamente nesse coletivo em que todos tenham os mesmos direitos de voz e voto (a lá Habermas em “Consciência Moral e Agir Comunicativo”) é que tenho o direito de argumentar sobre tudo que penso e, inclusive, em defender argumentativamente o que penso. No caso podendo persuadir, pela força do melhor argumento, que estou certo ou sendo persuadido, também pela força do melhor argumento, de que estou errado e devo, então, mudar de ideia (ou não!!).

Contudo, temos o segundo lado da moeda: “devo” expressar tudo que penso? É aqui que temos um sonoro NÃO como resposta, explico-me. Nem sempre o que pensamos é benéfico para o coletivo, ou mesmo para outro indivíduo. Quando meus pensamentos são carregados de preconceitos, agressividade gratuita, xenofobia, homofobia, misoginia, racismo etc. não devem ser expostos. Primeiramente porque tais pensamentos incorrem, em sua grande maioria, na violação de leis sancionadas. Mas, antes de tudo, porque ao viver em sociedade eu abro mão de minha liberdade natural para uma liberdade civil (como bem nos mostra Rousseau em seu “Contrato Social”) e essa liberdade civil, que me garante o direito à propriedade, limita minha liberdade em relação ao outro para que possamos viver em sociedade.

Todos, digo, todos temos o direito de expressarmos livremente ideias e, principalmente, discuti-las o mais exaustivamente possível. Mas, quando expressamos pensamentos carregados de teor preconceituoso e agressividade gratuita é interessante notar que é um tipo de pensamente extremamente dogmático, pois não permite a discussão. Assim, caso aquilo que expressamos não possa ser discutido e questionado não é uma ideia e sim um preconceito formado que muitas vezes não queremos abrir mão (seja por qual razão for) e, por isso, não deve ser expresso. E, infelizmente, assim como tem motoristas que não têm consciência que beber e dirigir MATA e para contê-los há a necessidade da lei que os puna, para intolerantes e preconceituosos que usam de suas palavras para MATAR (mesmo que não fisicamente) a outras pessoas, essas pessoas devem ser tolhidas de seu direito de manifestar tal tipo de pensamento.

Bem, como bem disse, isso aqui exposto é uma ideia e deve ser discutida. Assim, aqueles que quiserem, sintam-se livres para isso nos comentários.

Não é incomum um filósofo refletir sobre sua própria existência. Na verdade essa é sua atividade diária. Uma busca incessante sobre os porquês que norteiam o fazer filosófico. Ainda mais sobre si mesmo.

Aqui lembramos a máxima socrática: “Conheça-te a ti mesmo” e, também, um pouco da etimologia da palavra “reflexão” que do Latim RE (outra vez, novamente) e FLECTERE (dobrar), veja fonte. Assim, temos que o ato de refletir é um “dobrar novamente”, ou “redobrar”. Agora, como está relacionado à máxima socrática, é um redobrar-se sobre si mesmo, que nos remete a compreender que reflexão é um olhar para dentro de nós mesmos na busca da autocompreensão!

Enfim, não querendo mais delongas e parecer um filochato, é trabalho de todo filósofo a reflexão. A reflexão é, muito mais que um trabalho, é o estilo de vida do filósofo. De modo que, é na busca por razões àquilo que está diante de si que vive o filósofo, pois o que está diante de si o espanta, lembrando aqui o bom e velho Aristóteles que em seu livro Metafísica diz que a filosofia surge do espanto do homem diante do mundo. E o que mais espanta ao homem do pensar, ao filósofo por natureza, que sua própria existência? Dentre as várias coisas que o mundo lhe apresenta, sua própria vida é motivo de profundas reflexões.

Já tem um bom tempo que cheguei à compreensão, não fechada em si mesma, de que a vida não tem sentido algum. A não ser o sentido que damos a ela. Isso é profundo e, ao mesmo tempo, perigoso. Afinal se coloco o sentido de minha vida em algo que, certamente, irá me frustrar corro sério risco de vir a dar cabo da mesma, afinal o que lhe dava sentido não correspondeu e, ao perder o sentido da vida, que mais nos resta?

Entretanto ao compreender que o sentido da vida é aquele que dou a ela, também sei que estou no comando. Que posso, pura e simplesmente mudar as coisas de minha vida, pois a razão de ser delas sou eu mesmo.

Essa é uma questão complicada para aqueles que entendem que o sentido da vida não pode ser dado de forma autônoma, mas que deve ser dado de forma heterônoma, ou seja, a sua razão de ser vem de fora de si e não de si mesmo. Pois, como pode ele trocar a razão de ser de sua vida se não foi ele mesmo que a deu? Ao contrário, ela vem de fora!! É determinada de fora e, portanto, não há como mudá-la.

Enfim, isso tudo nos traz de volta à reflexão sobre a vida. Na verdade, traz-me de volta à reflexão que faço sobre minha própria vida, minha própria existência. Tenho certeza de que estou caminhando em boa direção. Tenho algumas razões que dão sentido à minha vida. Não são razões eternas e firmes como rocha, mas ao mesmo tempo sei que são as minhas razões, pois fui eu quem as assim o fez.

Primeiramente, meu amor. O amor sublime e irrestrito que tenho por Leila e que sei que é correspondido. São onze anos de convivência e de construção de vida em comum. O que fortalece ainda mais meu caminhar e sei que fortalece o dela também.

Em segundo lugar minha carreira. O valor que dou ao trabalho que realizo como professor e pesquisador. Não há como voltar atrás. Saí da caverna e sei que se voltar (e tenho que voltar) corro o risco de ser assassinado por meus iguais (obviamente aqui estou usando a metáfora do Mito da Caverna platônico!!), pois já não sou e nem serei mais compreendido, pois meus olhos buscam contemplar a verdade, o saber e aos que ainda estão na caverna isso é um ultraje, uma afronta. Contudo, sigo tranquilo, pois minha carreira terá bons frutos, pois sei que por intermédio dela alguns conquistarão a liberdade da caverna também!

Mas, é aqui que se pauta o mais terrível dos paradoxos!! Contemplar o conhecimento, estar livre dos grilhões e, consequentemente, da caverna é profundamente angustiante, pois mesmo no escuro da caverna contemplamos aqueles que estão iludidos pelas sobras do conhecimento, acreditando terem o conhecimento verdadeiro. E como isso é profundamente angustiante. A angustia se dá pois, somos ignorados e rechaçados por tentar levar a liberdade àqueles que estão na caverna. Temos nossos apelos à reflexão rechaçados e isso fere profundamente.

Mas, ao final, podemos dizer junto a milhares de outros professores e pesquisadores que a vida valeu a pena. Enfrentamos o combate à ignorância e a todas as mazelas que ela provoca e seguimos confiantes, assim como Kant, de que em nossa pequena estada sobre essa existência, contribuímos para a emancipação da humanidade e que o reino dos fins, tão distantes quando nascemos, estará um pouquinho mais perto quando deixarmos de existir!

Publicado, originalmente, no meu perfil do Facebook!!!

Além do cotidiano
O cotidiano que reduz a vida
A vida que extrapola o azul
O Azul de um céu que reluz
Que Reluz para além do meridiano
Meridiano que nos limita
Limitação que nos força
Força a extrapolar
Extrapolar os próprios limites
Limites da razão e dos sentimentos
Sentimentos que nos fazem livres
Livres do cotidiano

Sócrates

Sócrates

Sócrates, 469 a.C. a 399 a.C., é considerado o grande filósofo da antiguidade.  Grande parte dessa afirmação se dá por uma criação intelectual muito peculiar da qual ele é responsável: a Maieutica.

Contudo, em que consiste a Maieutica?

Sobretudo a Maieutica é um método. Um método investigativo muito interessante. Consiste em dialogar com seu interlocutor com o objetivo único de extrair a verdade.

Platão

Platão

Vale lembrar que Sócrates, propriamente, não escreveu um único texto. Assim, o que temos são de fontes próximas, das quais aqui utilizarei Platão (427 a.C a 347 a.C.), seu discípulo mais proeminente.

Nos chamados Diálogos da Juventude, Platão assume a proposta socrática e trabalha de forma a dar corpo aos conceitos e pensamentos de seu mestre. Entretanto, como é óbvio, existe uma mistura do que o mestre pensava e da própria genialidade do discípulo, não sendo uma tarefa fácil separar o que é próprio de Sócrates e o que é próprio de Platão.

Sócrates utiliza do método unindo Ironia e Maieutica. Com o primeiro faz uma desconstrução do falso, aponta que o que sustenta-se como verdadeiro, não o é. Sua proposta ao utilizar da Ironia é justamente mostrar que aqueles que dizem conhecer sobre determinado assunto na verdade não o conhecem e utilizam de certezas ilusórias para sustentar seus conhecimento.

Claro que aqueles que são confrontados por Sócrates no momento da utilização da Ironia não utilizam de má fé ao sustentar seus conhecimentos, mas estão enganados em seus conhecimentos. Assim, Sócrates promove a desconstrução da opinião (doxa) para que o verdadeiro conhecimento (episteme) seja alcançado.

Num segundo momento vem a utilização da Maieutica que consiste em trazer a luz a verdade que está no próprio indivíduo. Vale lembrar que a palavra maieutica, no grego, era o termo utilizado para designar o ofício da parteira, que auxilia a mulher a dar a luz.

Assim, Sócrates compreende que fazendo as perguntas certas é possível trazer a verdade que está no próprio sujeito. Aqui ressalta-se que temos mais do discípulo do que do mestre, pois para Platão o conhecimento é reminiscência, ou seja, lembrança. Justamente porque nossa alma, antes de nascermos estaria no mundo das ideias e lá contemplaria a verdade. Ao nascermos, nossa alma se esquece da verdade e ao ser confrontada com as perguntas certas consegue lembrar a verdade, pois essa era contemplada diretamente.

Bem, isso é um singelo apontamento para instigar a pesquisa e busca da compreensão do que esses dois importantes pensadores da Antiguidade nos legaram no processo de compreensão de nós mesmos.

 

A vida é cíclica! Os gregos tinham isso em sua cultura. Nietzsche retoma essa compreensão de mundo dos gregos do eterno retorno e lhe dá uma roupagem mais contemporânea, mas é sempre a ideia de ciclos, de encerramentos e recomeços.

Terminei um ciclo. Meu projeto de pesquisa “O Grupo Prático de Deslocamentos e a Constituição das Noções de Espaço Objetivo e Objeto Permanente” findou-se. Deu-me bons frutos os três anos em que nele trabalhei. Sim, foram três anos de trabalho intenso. Programado, primeiramente, para ser realizado em dois anos, mas houve um pedido aprovado de prorrogarmos por mais um ano.

Foi de grande produtividade esse período. Pudemos realizar, como atividade do projeto, o I Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica. Além, claro de participarmos de vários eventos nacionais e até um internacional (na Argentina) nos quais apresentamos os resultados de nossas pesquisas.

Mas esse ciclo se fechou. Contudo um novo ciclo se abre! Novo projeto está em tramite de aprovação. Intitulado “O Conhecimento enquanto problema da Epistemologia Genética”, no qual temos a intenção de continuar nossas investigações sobre a gênese e desenvolvimento do aparato cognitivo e dos conhecimentos, principalmente com quatro noções que são muito caras à Epistemologia, são eles: Espaço, Tempo, Causalidade e Substância.

Serão novos desafios. Dentre eles a institucionalização do GEPEGRA – Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética da Região Amazônica, que já estava delineado no projeto que se findou, mas que vem com força para, finalmente, ser uma realidade em nossa UNIR.

Estamos, também, com o firme propósito de realizarmos o II Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica, que acontecerá no período de 17 a 19 de outubro próximos.

Além, claro, dos desafios enormes da orientação em Iniciação Científica de todos os discentes envolvidos no GEPEGRA e, principalmente, da bolsista PIBIC/CNPq/UNIR que, também, fecha um ciclo e abre-se a um novo, pois estamos propondo a prorrogação da bolsa por mais um ano.

Enfim, muito trabalho pela frente, mas nada é mais gostoso do que estar envolvido em um trabalho que nos dá prazer em realizá-lo. Um ciclo se fecha, outro se abre, é a vida que continua e os horizontes se ampliando!!

Vi o texto que segue numa publicação do FaceBook, o texto é de Rosana Jatobá (foto) –  jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. Tomo, então, a liberdade de reproduzí-lo aqui, pois vale muito a pena ser lido.

O insustentável preconceito do ser!

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
– Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “Cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
“O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.
“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

“Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra ‘niger’ para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
‘Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe’…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).

Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan ‘black is beautiful’. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém”.
Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos” , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

– A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
– Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
– Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”. Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável. O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos.

——

Não tenho a fonte do texto, a não ser o que foi compartilhado no FaceBook, mesmo assim o texto é brilhante e reflete o preconceito velado que existe no povo brasileiro.

 

 

Acontecerá no período de 08 a 10 de agosto de 2012 o

XIV Colóquio Kant da UNICAMP:

Justiça e Liberdade

no Auditório do IFCH da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP.

Sob a coordenação dos professores José Oscar de Almeida Marques e Andrea Faggion, tem os seguintes conferencistas já confirmados:

Aguinaldo Pavão – UEL
Alessandro Pinzani – CNPq/UFSC
Alexandre Hahn – UNB
Andrea Faggion – UEM
Aylton Barbieri Durão – UFSC
Christian Hamm – UFSM
Daniel Tourinho Peres – CNPq/UFBA
Delamar Volpato Dutra – CNPq/UFSC
Fábio Scherer – UEL
Frederick Rauscher – Michigan State University
Juan Bonaccini – CNPq/UFPE
Julio Esteves – CNPq/UENF
Robert Louden – University of Southern Maine
Zeljko Loparic – PUC-SP/PUC-PR/UNICAMP

Chamada de trabalhos:
As propostas, apropriadas para uma comunicação de 30 minutos, devem ser enviadas para o endereço eletrônico andreafaggion@gmail.com até o dia 31 de maio de 2012, e conter: título, nome do autor (e do orientador, quando for o caso), instituição, endereço eletrônico do autor, resumo entre 250 e 500 palavras, 4 palavras-chave e referências bibliográficas, digitados em formato A4, espaço 1,5, fonte Times New Roman, 12. As propostas devem versar necessariamente sobre Kant, dando-se preferência a trabalhos ligados à sua filosofia política.

Inscrições:
Alunos de Graduação: R$30,00. Alunos de Pós-Graduação e Professores do Ensino Básico: R$40,00. Professores do Ensino Superior: R$50,00.

Obs: As inscrições devem ser feitas no local, durante o evento.

Promoção:
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH
Departamento de Filosofia
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência – CLE

Apoio:
Secretaria de eventos do IFCH

Fonte: http://www.kant.org.br/modules/mastop_publish/?tac=112

Prezados colegas:

Tramita no Congresso Nacional, em regime conclusivo, o projeto de lei nº 2533/11, elaborado  pelo depudado Giovani Cherini (PDT/RS)* . Seu objetivo é  regulamentar a profissão de filósofo no Brasil. Conforme a proposta do deputado Cherini, o desenvolvimento de projetos socioeconômicos regionais, setoriais ou globais deverão contar com a participação de filósofos devidamente registrados no Ministério do Trabalho. Estarão qualificados para o exercício da profissão todos aqueles que possuírem título de bacharel em filosofia, os diplomados “em cursos similares” no exterior, após terem seus diplomas revalidados, além de mestres e doutores não diplomados que exerçam a atividade há mais de cinco anos. O mencionado projeto de lei também assegura que a profissão de “filósofo” poderá ser exercida por membros titulares da Academia Brasileira de Filosofia e “aos por ela diplomados”. Para conferir a íntegra do projeto de lei, acesse:

Projeto de Lei nº 2533/11

Como representante da comunidade de pós-graduação dos cursos de filosofia no Brasil, a ANPOF vem manifestar seu repúdio a tal projeto.

Cursos de filosofia formam professores de filosofia, que podem ou não ser filósofos. Assim também, cursos de literatura formam professores de literaratura, que podem ou não ser literatos. Finalmente, há filósofos e literatos sem titulação acadêmica. É tão absurdo exigir diplomação específica para alguém ser filósofo quanto seria exigir diplomação específica para alguém ser escritor. A filosofia não é e nem deve tornar-se competência exclusiva de um segmento qualquer, seja ele de natureza estamental, profissional ou ideológico.

Acima de tudo, causa-nos estranheza a prerrogativa que o projeto pretende dar à Academia Brasileira de Filosofia, que qualifica como filósofos João Avelange e Carlos Alberto Torres, capitão da seleção de futebol de 1970. Trata-se de uma associação absolutamente inexpressiva no que concerne aos estudos, projetos de pesquisa e ensino da filosofia em nível universitário. A despeito disso, o referido projeto quer transformar essa entidade na representante da filosofia e da “língua filosófica” nacionais” (artigo 7).

Por essas razões, endossamos o abaixo-assinado que circula na Internet contra o mencionado projeto!

Cordialmente,

Vinicius de Figueiredo (Presidente da Diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia – ANPOF)

Fonte: ANPOF

Aproveito esse espaço para divulgar uma publicação minha realizada nos Anais do II Colóquio Internacional de Epistemologia e Psicologia Genéticas.

O artigo que disponibilizo aqui é fruto do trabalho para elabroação da minha Dissertação de Mestrado ― “O Esquema de Ação e a Constituição do Sujeito Epistêmico: Contribuições da Epistemologia Genética à Teoria do Conhecimento”, sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo Pereira Tassinari (co-autor do artigo), no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNESP, defendida em 2009, bem como das pesquisas realizadas junto ao GEPEGE – Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética e Educação da UNESP e de pesquisas junto ao GEPEGRA – Grupo de Estudos e Pesquisa em Epistemologia Genética da Região Amazônica da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, numa continuidade das pesquisas em Epistemologia Genética à qual ambos os autores têm se dedicado.

Neste artigo, temos como objetivo descrever e explicar o que é o modelo Grupo Prático de Deslocamentos, introduzido por Piaget em 1937 na obra “La construction du réel chez l’enfant” (Neuchâtel, Paris: Delachaux et Niestlé).

Para tanto, introduzimos a notação matemática para descrevê-lo, damos o significado dessa notação em termos dos comportamentos da criança e explicitamos a estrutura matemática de grupo subjacente ao modelo.

Palavras-Chaves: Grupo; Grupo Prático de Deslocamentos; Construção do Espaço

Para aqueles que queriam se aprofundar ainda mais na Epistemologia Genética, acessem o artigo na íntegra