Resenha “Perfis póstumos nas Redes Sociais”

LeoGoldbergA Revista Filosofia: Ciência & Vida de agosto/2015 (Número 109) traz como reportagem de Capa um interessante artigo do Psicólogo e Psicanalista Leonardo Goldberg (foto), doutorando em Psicologia Social pelo Instituto de Psicolgoia da Universidade de São Paulo – IP-USP.

Com o título “Perfis Póstumos nas Redes Sociais” Goldberg apresenta uma interessante discussão sobre a morte nos dias atuais. Lembra o autor que:

Se os egípcios enrolavam pergaminhos junto aos mortos, com instruções para a “vida pós-vida”, o sujeito moderno encontra nas redes sociais um espaço de registro para “atualizar” na Linguagem o memorial de um morto.

Nessa perspectiva Goldberg apresenta que redes sociais como Facebook possuí entre 10 e 20 milhões de perfis de pessoas já falecidas. Menciona, inclusive, que o próprio Facebook já

[…] criou um questionário para transformar os perfis póstumos em ‘páginas memoriais’ e estabeleceu uma ordenação diferente para, por exemplo, o perfil do falecido não aparecer como “sugestão de amaizade” em espaços públicos da rede.

Interessante, ressalta Goldberg, é que isso aconteceu motivado por reclamações de parentes que se sentiram incomodados com situações corriqueiras da rede social com o perfil de alguém já falecido. Além de familiares que, após o falecimento, mantinham o perfil da pessoa falecida, atualizando com informações e amigos que postavam mensagens nesses perfis como forma de manter o contato com tais pessoas.

Segundo o autor isso manifesta diversas transformações na linguagem promovidos pela cibercultura e o seu impacto na significação cultural do conceito de morte.

Assim, o autor percorrendo correntes psicanalíticas e filosóficas, apresenta essas transformações do conceito de morte e como as pessoas estão lidando com tais transformações. Trazendo à tona uma discussão muito interessante em tempos de redes sociais e que tais transformações estão fortemente marcadas no campo da Linguagem, tanto imagética como escritural, pois é pela linguagem (em seus vários matizes) que a cultura se constitui e se transforma.

Vale muito a pena a leitura, e mostra um pensamento psico-filosófico coerente com seu tempo e profundamente comprometido com tarefa de compreender a realidade cultural que nos cerca nesse mundo que já não tem mais as fronteiras que outrora possuía, mas está aberto a todos, inclusive aos que falecem e, em termos de linguagem, como lidamos com isso.

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