A partir de uma conversa com a querida amiga Gisele Gomedi (via FaceBook) sobre liberdade de expressão fiquei a pensar com meus botões., o que me levou a escrever essa pequena digressão.

Enfim, pelo fato de ser livre posso e devo expressar tudo que penso?

A princípio, num ardente desejo de defender a liberdade de expressão, a resposta a essa questão deve ser um grande e sonoro SIM, não acham!? Pois é, mas penso que não seja bem assim e sobre isso que pretendo comentar aqui.

Duas coisas estão envolvidas na questão proposta, ao menos na maneira como eu a propus e, sintam-se livres para discordar de mim nos comentários a este post.

A primeira é “posso” expressar tudo que penso? Claro, diante da liberdade necessária às democracias sim, é claro que posso expressar tudo que penso, tenho direitos garantidos que me permitem a expressão livre das minhas ideias e, inclusive, da discussão das mesmas para que se construa, no coletivo, uma compreensão melhor do que penso e do que todos os que me cercam pensam. É justamente nesse coletivo em que todos tenham os mesmos direitos de voz e voto (a lá Habermas em “Consciência Moral e Agir Comunicativo”) é que tenho o direito de argumentar sobre tudo que penso e, inclusive, em defender argumentativamente o que penso. No caso podendo persuadir, pela força do melhor argumento, que estou certo ou sendo persuadido, também pela força do melhor argumento, de que estou errado e devo, então, mudar de ideia (ou não!!).

Contudo, temos o segundo lado da moeda: “devo” expressar tudo que penso? É aqui que temos um sonoro NÃO como resposta, explico-me. Nem sempre o que pensamos é benéfico para o coletivo, ou mesmo para outro indivíduo. Quando meus pensamentos são carregados de preconceitos, agressividade gratuita, xenofobia, homofobia, misoginia, racismo etc. não devem ser expostos. Primeiramente porque tais pensamentos incorrem, em sua grande maioria, na violação de leis sancionadas. Mas, antes de tudo, porque ao viver em sociedade eu abro mão de minha liberdade natural para uma liberdade civil (como bem nos mostra Rousseau em seu “Contrato Social”) e essa liberdade civil, que me garante o direito à propriedade, limita minha liberdade em relação ao outro para que possamos viver em sociedade.

Todos, digo, todos temos o direito de expressarmos livremente ideias e, principalmente, discuti-las o mais exaustivamente possível. Mas, quando expressamos pensamentos carregados de teor preconceituoso e agressividade gratuita é interessante notar que é um tipo de pensamente extremamente dogmático, pois não permite a discussão. Assim, caso aquilo que expressamos não possa ser discutido e questionado não é uma ideia e sim um preconceito formado que muitas vezes não queremos abrir mão (seja por qual razão for) e, por isso, não deve ser expresso. E, infelizmente, assim como tem motoristas que não têm consciência que beber e dirigir MATA e para contê-los há a necessidade da lei que os puna, para intolerantes e preconceituosos que usam de suas palavras para MATAR (mesmo que não fisicamente) a outras pessoas, essas pessoas devem ser tolhidas de seu direito de manifestar tal tipo de pensamento.

Bem, como bem disse, isso aqui exposto é uma ideia e deve ser discutida. Assim, aqueles que quiserem, sintam-se livres para isso nos comentários.

2 Thoughts on “Digressão sobre Liberdade de Expressão

  1. Douglas Vidal on 3 de fevereiro de 2013 at 22:10 said:

    O mesmo pensamento se aplica no caso dos comediantes, como Rafinha Bastos, Danilo, etc? Na verdade é mais uma divagação ou um questionamento provocativo, porque o humor sempre se alimentou do preconceito não dito, do absurdo, exagero, etc. Sendo assim o limite entre o que pode ou não ser dito acaba sendo muito tênue, mesmo porque se pensarmos em proibir, quem seria o grupo que decide o que pode ou não ser dito, o que é ou não engraçado. E o tema do humor acaba indo pra outras esferas, afinal, se o humorista pode, porque não outro grupo não pode?

    Na musica, como o Rock por exemplo, a agressividade é parte praticamente inseparável do todo, e a censura acaba sendo uma prerrogativa valida.

    O mesmo com a publicidade, mesmo tendo o CONAR como órgão auto-regulamentador, o mesmo não tem poder de lei, e quem acaba definindo os limites são os consumidores, e mais uma vez a linha entre o permitido e o proibido acabam se misturando muitas vezes.

    Sei que é um tema complexo, mas qui esta minha colaboração, parabéns pelo BLOG Vicente, está esteticamente bonito, (claro, sua esposa é uma ótima designer rs) e com ótimos textos, sou seu leitor e o considero um grande amigo!

    Abraçosssss

  2. Pedro Paulo Almeida Martins on 20 de fevereiro de 2013 at 17:14 said:

    Gostei, Ultra e mega excelente texto professor Vicente, continue escrevendo !!

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