É interessante notar que a história parece, sempre, se repetir. Mudam-se os atores sociais, os espaços geográficos a amplitude dos acontecimentos, mas questões básicas não mudam.

Vejamos um exemplo. Nos primeiros séculos da chamada “Era Cristã” – lembrando que só tem esse nome por conta do domínio imperial que a igreja (sim com i minúsculo) teve durante praticamente toda a Idade Média – diversas heresias foram combatidas pela, então, igreja cristã da época.

Dentre essas heresias uma em especial me chama a atenção: o Maniqueismo. De forma simplória, tal heresia, vê o mundo regido por duas forças supremas o bem, ou deus e o mal, ou o diabo. Além, obviamente de haver um conflito entre essas suas potências em que no meio do conflito está a posse do ser humano.

Obviamente que se redigirmos o parágrafo anterior, sem mencionar que se trata do maniqueísmo, alguns ditos cristãos hoje estariam de pleno acordo. Afinal, temos visto proliferar nas chamadas igrejas cristãs, uma compreensão de que há uma eterna luta entre o bem e o mal, entre deus e o diabo. Batalhas espirituais estão sendo travadas nesse exato momento em que escrevo essa pequena digressão.

Vemos, então, uma heresia condenada há tempos atrás travestida de novas roupagens, novas formas de se expressar e, o que é lamentável, plenamente aceita pelos chamados líderes cristãos como plausível.

Infelizmente, teóricos como Agostinho de Hipona não são mais lidos nem conhecidos no meio eclesial. Compreender que o mal não tem estatuto ontológico é demais. Afinal, não se precisa pensar, somente ter fé. Fé em que? Vai saber! Dizem ser em deus, mas um deus que está em pé de igualdade com a potestade maligna é, no mínimo, chacota.

Um deus que necessita de auxílio do próprio humano para dominar as forças do mal soa como piada. Mas, vale lembrar que não é só o maniqueísmo que está sendo revigorado. A necessidade de dominar as forças da natureza aplacando a ira dos deuses é mais antiga que o cristianismo. Ah! Sim, o cristianismo não precisa aplacar a ira de deus, afinal ela foi aplacada pelo sacrifício desse mesmo deus ao ser crucificado. Lendo engano, temos que aplacar com orações, súplicas e confissões. Com uma vida reta seguindo os preceitos desse deus.

Mas que estranho, vamos a todas as atividades da igreja, colocamo-nos de joelhos e fazemos nossas orações, súplicas e confissões, contudo ao sair posso agir como se o outro fosse das forças inimigas, pelo simples fato de pensar diferente de mim. Exigimos que a Constituição nos garanta a liberdade religiosa, e massacramos a religiosidade do outro como pura manifestação do mal, do diabo. Enfim, vivemos num mundo esquizofrênico maniqueísta e nas batalhas temos que garantir que o mal retroceda e as forças do bem vençam, afinal esse é o objetivo da missio dei.

É com satisfação que divulgo a publicação de um artigo meu na Intuición. Revista de Filosofía.

Sobre a revista, nada melhor do que citá-la:

Intuición es una revista internacional de filosofía, en línea, independiente, revisada por pares, con énfasis en la participación constructiva de filósofos de habla castellana y portuguesa de cualquier tradición, escuela, orientación, método o estilo de hacer filosofía, que buscan añadir su contribución original al desarrollo de la filosofía como empresa científica y colaborativa, en todas las áreas de la investigación propias de esta disciplina.

O endereço da revista é http://revistaintuicion.info/index.php/int/issue/current, abaixo o índice dessa publicação:

Artículos

Emilio Uranga and John Dewey on Contingency and Accident: In Search of an American Essence

Carlos Alberto Sanchez

Universalizar lo imposible

Carlos Seijas

Locke e Rawls: tolerância e razoabilidade – formas de ordenamento para o fenômeno brasileiro religioso atual

Elnora Gondim, Osvaldino Marra Rodrigues

A Informação como propiciadora de Sistemas Complexos

Vicente E. R. Marçal

Sobre poetas y pensadores. Una conversación sobre filosofía, literatura y la reconstrucción del mundo

Costica Bradatan, Simon Critchley, Giusseppe Mazzotta, Alexander Nehamas

Ensayos

Institutional Designs for Global Justice

Mario Alberto Solís Umaña

Freedom and the Modern State: Is there room for Religion in a Secularized Society?

María Alejandra Vanney

Espero que gostem dos artigos publicados e que esse número da revista Intuición contribua para a formação de todos que a ela tiveram acesso.

Em ritmo de férias, mas já preparando-me para assumir as minhas funções.

O ano de 2010 foi um ano de muito trabalho, trabalho árduo mas compensador.

As atividades do GPEGRA – Grupo de Pesquisa em Epistemologia Genética da Região Amazônica caminharam bem durante o ano de 2010. Tivemos boas reuniões e o crescimento dos discentes envolvidos no conhecimento da Epistemologia Genética foi muito bom. Agora, em 2011, temos o desafio de institucionalizar o grupo junto à UNIR e ao CNPq.

Além da institucionalização do GPEGRA, temos como desafio a realização do I Congresso de Epistemologia Genética da Região Amazônica. Desafio enorme, haja vista que o fator amazônico é um complicador que, na grande maioria das vezes, não só dificulta como impede a realização de eventos na nossa região. Temos o ímpeto de, no mínimo, contornar esse “fator amazônico” e consagrar a região com a realização de um evento de grande nível na discussão da Epistemologia Genética. Interligando, desse modo, a região norte com as demais regiões do país como um pólo de referência nas discussões Epistemológicas e, mais especificamente, da Epistemologia Genética.

No Ensino também tivemos, em 2010, um trabalho árduo nos diversos cursos da UNIR em que estive diretamente envolvido como docente. Foram várias disciplinas tais como: Introdução à Filosofia, Metodologia e Prática de Pesquisa em Filosofia, Teoria do Conhecimento I e II,. Enfim, um trabalho que é deveras compensador ao ver o progresso dos discentes. Frutos que, na verdade, só vou colher daqui a alguns anos quando se formarem e se tornarem profissionais e aplicarem o conhecimento adquirido tanto nas disciplinas que estive diretamente envolvido quanto nas demais em suas práticas diárias, e poder encontrar com esses discentes egressos e vê-los realizados.

Em 2011 não será diferente, com certeza o trabalho será árduo mas compensador. Estarei a frente de diversas disciplinas novamente, outras turmas, outros rostos, mas a mesma dedicação e mesmo empenho em tornar as disciplinas palatáveis e apresentar o caminho do conhecimento a esses novos rostos.

O desafio do professor de Filosofia vai além da transmissão de conhecimentos. Somos responsáveis pela mudança de paradigmas na vida dos discentes levando-os à refelxão e à compreensão de que a vida não se resume em ganhar dinheiro, mas em ser alguém que faça diferença em seu meio, em sua sociedade. Ao conseguir que, ao menos um dos discentes que estarão sob minha responsabilidade esse ano, olhe o mundo com outros, olhos meus objetivos terão sido alcançados. Somos mais que números em estatísticas governamentais, somos mais que valores de mercado, somos seres humanos que precisam compreender as questões básicas: quem somos e porque estamos aqui.

O ano de 2011 mal começou, minhas férias não terminaram e os desafios se multiplicam diante de mim. Mas, não os encaro como estorvo o problemas, mas como oportunidades das quais tenho plena certeza: estou pronto para eles. Que venham os desafios, pois só assim a vida será muito mais emocionante.