Folk Psychology ou, simplesmente, Psicologia Popular

Para compreender o comportamento humano, a partir dos estados mentais, são utilizadas muitas terminologias, tais como: psicologia da crença-desejo, psicologia do senso comum; mas a consagrada pela literatura especializada é a Folk Psychology, ou numa tradução um tanto grosseira: Psicologia Popular.

Segundo a Enciclopédia das Ciências Cognitivas do Instituto Tecnológico de Massachusetts, Folk Psychology é uma psicologia do senso comum que procura explicar o comportamento humano em termos de crenças, desejos, intenções, ou seja, em termos de estados mentais.

O pesquisador da Universidade de Nijmegen, Holanda, Prof. Willem F. G. Haselager nos diz que, a Folk Psychology é caracterizada pelo uso de um vocabulário em que conceitos mentais como “crença”, “desejo” etc., são utilizados grandemente, de modo que podemos compreendê-la como uma busca por descrever o comportamento humano a partir de um vocabulário próprio que tem nas expressões ligadas aos estados mentais suas grandes representantes.

Assim, a Folk Psychology adota os conceitos provenientes dos estados mentais de conteúdo proposicional e, portanto, possibilita que os mesmos sejam passíveis de avaliação semântica, além do fato de terem o poder causal, ou seja, a capacidade de um estado mental ser a causa de um comportamento específico, como, por exemplo, as chamadas doenças psicosomáticas.

Desse modo, compreendida a Folk Psychology, nos dá quatro características centrais para os estados mentais, a saber:

  1. Os estados mentais têm conteúdo;
  2. Os estados mentais podem nos levar a diferentes atitudes em relação ao seu conteúdo;
  3. Os estados mentais desempenham um papel explicativo na Folk Psychology
  4. Os estados mentais são funcionalmente distintos.

Contudo, existem teóricos que rechaçam a Folk Psychology, e defendem a necessidade da elminação de sua terminologia para que tenhamos um vocabulário mais apropriado para a descrição do comportamento humano, pois o vocabulário originado dos estados mentais não possui uma existência real e, por outro lado, a neurofisiologia contemporânea mostra que não há estados intencionais desse tipo, mas somente neurônios, sinapses, ou seja, configurações materiais no cérebro.

O que nos leva a concluir que não existe nenhuma possibilidade de conciliação implicando na eliminação do vocuabulário mentalista ao se fazer ciência cognitiva ou filosofia da mente.

Popularmente não há problemas em se utilizar do vocabulŕio mentalista para se referir a estados mentais, mas é interessante sabermos que muitas vezes quando falamos que uma pessoa tem medo do escuro estamos utilizando um vocabulário impróprio para a descrição de tal comportamento.

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